Segurada passa mal e morre na entrada de agência do INSS onde passaria por perícia
19/08/2010 - 10:21 h | 83 Acessos
JUCA GUIMARÃES
Cerca de 40 minutos antes da abertura do posto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em Padre Miguel, no Rio de Janeiro, a segurada Angela Marta de Freitas, 57 anos, passou mal na fila e morreu minutos depois. Ela tinha horário de atendimento marcado, às 8h, para a análise de um pedido de benefício assistencial.
Segundo o INSS, a segurada foi socorrida por um médico perito do posto e os servidores chamaram o resgate, mas, infelizmente, ela morreu.
Em São Paulo, por conta da greve dos médicos peritos, que tem adesão de 22%, milhares de segurados não conseguem o atendimento agendado e voltam para casa inconformados.
A paralisação começou no dia 22 de junho, porém, desde outubro do ano passado os peritos atendem um número menor de consultas do que o total agendado pelo INSS, na chamada operação pela excelência do atendimento.
Os peritos afirmam que para realizar um bom trabalho devem ser agendadas 12 perícias para cada perito por dia. O INSS, por outro lado, marca 18 exames por peritos.
Como não há acordo com a associação de médicos peritos, que é contra a cota de 18 exames, o INSS decidiu negociar diretamente com a Federação Nacional de Médicos (Fenam) para em 90 dias regularizar o estoque de perícias atrasadas e definir uma proposta de plano de carreira para a categoria. Segundo o INSS, existem 400 mil perícias atrasadas. São Paulo é um dos estados com maior déficit. A meta é de atender os segurados em até nove dias após o agendamento, mas, atualmente, a espera chega a 90 dias.
Má gestão
A ANMP, associação de médicos peritos, afirma que não reconhece a legitimidade da negociação entre o INSS e a Fenam.
De acordo com os peritos, a responsabilidade pelo represamento das perícias é da má gestão realizada pelo INSS. "Em julho, por exemplo, dos 35 peritos do posto do Glicério, o maior do país, 23 tiraram férias. Isso é má gestão. Como é que o empregador pode dar férias para metade dos funcionários e não querer que o serviço acumule?", diz Luiz Argolo, presidente da ANMP.
A associação de peritos também descartou que a categoria vai aceitar fazer mutirões para colocar o atendimento dos segurados em dia.
O INSS afirma que as negociações com a Fenam estão avançadas e que não era mais possível continuar o debate com a associação dos peritos.
Se for fechado um plano de atendimento para os segurados entre o INSS e a Fenam, os peritos que furarem o acordo poderão ser punidos pela federação.
Duas horas e meia a pé para não ser atendido no posto
O balconista Marcos Avólio (foto), 47 anos, foi a pé da sua casa no Jardim São João Clímaco, Zona Sul, até o posto do Glicério, na região central, para fazer a perícia. "Só tinha o dinheiro de uma condução, então separei para a volta. Sou diabético é fiz essa caminhada toda sem comer nada".
Ele tinha atendimento agendado para às 13h. Chegou ao meio-dia, mas não foi atendido por conta da greve dos peritos.
"Estou há três meses sem o benefício. É uma enorme falta de respeito". Uma nova data foi marcada para o dia 15 de setembro. "Eu deveria ter sido atendido em julho. Esta é a segunda remarcação", reclamou.
A greve
Na capital, 28,4% dos 253 médicos estão em greve. No país, cerca
de 400 mil perícias estão atrasadas. Com a operação padrão, 33% das consultas são canceladas. Em Santos, a espera é de 48 dias.
O agendamento é feito pelo telefone 135.
Fonte: Diário de São Paulo